Sair da tal “zona de conforto”. Dói, mas vale a pena. (Por Carolina Lima)

Zona de conforto

Na psicologia, a zona de conforto é uma série de ações, pensamentos e/ou comportamentos que uma pessoa está acostumada a ter e que não causam nenhum tipo de medo, ansiedade ou risco. Nessa condição a pessoa realiza um determinado número de comportamentos que lhe dá um desempenho constante, porém limitado e com uma sensação de segurança.

Sempre achei essa mais uma expressão da chamada “modinha” do mundo corporativo. Mas não. Quando estamos e nos sentimos em um estado de total segurança, pensamos que tudo está bem. Chegamos a um ponto em que ser “desafiado”… da preguiça. Esse ponto pra mim é de adoecer: é quando minha mente “grita” que algo deve ser mudado. Bate tristeza, bate angústia… dá “sono”.

Sair da zona de conforto é se jogar em um mundo desconhecido. É passar noites e horas a fio pensando e repensando em suas escolhas e na sua vida, tanto pessoal quanto profissional. É se achar, até mesmo, com o perdão da palavra, meio “burro”. Você sair de um mundo onde era capaz de dominar a situação, previa qualquer movimento, lia o ambiente por completo e, de repente, entrar em um mundo em que a roda gira 10000 vezes mais rápido e o volume de aprendizado é quase absurdo (dentro da sua perspectiva antiga, claro), dói. Fere. Machuca até… Mas recompensa.

Veja meu exemplo: sempre fui executiva (se é que assim pode se chamar aquele que trabalha em ambientes totalmente corporativos). Trabalhei em grandes, pequenas e médias empresas na área de Marketing e Comunicação. Aprendi, cresci e desenvolvi minha carreira nesses ambientes, e fiquei quase dez anos em uma só empresa (não digo que é errado, quem sou eu, mas… é bom avaliar esse ponto. De fora, hoje, posso dizer). Conquistei muita coisa, aprendi como nunca, mas chegou em um ponto que pensei… “e agora? Está dando sono… estou sem ver lá na frente… tudo está um marasmo…” Opa! O grande sinal! Hora da vida mudar. Hora de perder o medo e encarar o novo. Ai, que preguiça de novo… Não, pode parar por aí!

O tal do “novo” para mim foi entrar em um projeto em que o mundo da inovação e as pessoas desse novo momento de transformação ( chamo de novo momento, porque é) estão inseridas. Entender e viver de perto o conceito e o dia a dia da área de inovação, pertinho do mundo real das startups… Conhecer as profissionais mais “jovens”, que estão a frente desse movimento (e daí que vem a sensação de “burra”, mas… o tanto que eles tem a aprender com os experientes aqui, meu amigo, minha amiga… na verdade, é uma bela troca!) Ter um dia a dia sem horários. Chegar às 08:30 enquanto o restante chega as 10:00. Sair as 18:30, 19:00 para ir a academia e perceber que o restante do pessoal vai ficar por lá, porque eles treinam cedo e preferem trabalhar até mais tarde.(ficar até mais tarde na minha vida antes era tortura). Não ter rotina. Sentar em qualquer lugar utilizando o seu computador mesmo para trabalhar, tranquilo. Inovar. Fazer diferente. Que incômodo! Que coisa!

Incômodo que hoje domino. Que hoje me desafia a cada dia que passa. Me desafia também a troca: mundos diferentes, e uma troca riquíssima! O que uma empresa pode aprender com o novo e o novo pode aprender com uma empresa já estabelecida no mercado é incrível. Eu me sinto, no caso, uma empresa estabelecida que está em pleno processo de renovação: trocando as “engrenagens”, renovando processos, abrindo os horizontes, vendo o futuro de forma mais clara, olhando “para fora”, enxergando as oportunidades, vivendo novas experiências, renovando a equipe (equipe, aqui, me refiro às antigas convicções) mas mantendo aqueles experientes (aqui, me refiro aos aprendizados, ao “calo”, ao “lombo”, porque isso, ninguém tira), desenhando novas metas, vendo que errar não é tão ruim assim (“sorry“, no mundo corporativo antigo, errar ainda é sinal de que você não é bom) e que, para me renovar no mercado, é preciso passar por cima de certos pré conceitos, ego e ser humilde.

Agora, me vejo como uma profissional diferente. Mais forte, mais flexível, mais cabeça aberta, mais firme, mais madura. Mais atualizada, entendendo o real sentido de sair da “tal da zona de conforto”. Mudar dói, mas com o tempo, te mostra o tanto que você estava era demorando para se tornar um profissional, um ser humano, muito melhor. Viemos a esse mundo para nos adaptar. Então…  se vai surgir (quando dá sono, a gente acha que a oportunidade ainda vai surgir para nos “acordar”) aquela chance… ou se a gente mesmo vai levantar e decidir que somos totalmente responsáveis pela nossa própria renovação.

Mude. Só isso. O resto acontece naturalmente e você se adapta. Pode ter certeza.

 

Carolina Lima é Gestora de Marketing e Comunicação, Consultora, Palestrante e Professora Universitária e de MBA.

 

Autor: Nat Gaia

Ariana, mãe do Monet um Schnauzer que adora comer caderno, fascinada por organização, principalmente do tempo - porque assim consegue colocar muita coisa em ação - e planejadora de vidas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.